ALTERAÇÕES E INSTRUÇÕES

Leia este artigo. Pode ajudá-lo a compreender o que aí vem…

A nova época teve o seu arranque oficial no passado sábado e continuará, em força, já a partir da próxima sexta-feira.

Eu tinha saudades. E vocês?

Esta parece-me, por isso, a altura certa para vos dar conta de algumas das alterações às leis de jogo, bem como elucidar-vos sobre um conjunto de recomendações que os árbitros receberam.

Como bem sabem, o IFAB (International Football Association Board) aprova regularmente modificações às regras, com o objetivo de tornar o futebol num jogo mais moderno, evoluído e atrativo.

Às vezes corre bem… às vezes nem por isso.

Para a época 2018/19, houve algumas mudanças mas nada de muito significativo ou de forte impacto prático. Nada que se compare, por exemplo, com as mais de cem alterações implementadas há dois anos.

Por cá, o Conselho de Arbitragem da FPF reuniu as suas tropas e voltou a dar um conjunto de recomendações que mais não são do que uma tentativa (oportuna e pertinente) de melhorar o seu trabalho e diminuir os seus erros.

No fundo, a ideia é que o árbitros, assistentes e videoárbitros façam a sua quota-parte, contribuindo para que o desporto-rei seja um espetáculo mais justo, apelativo e dinâmico.

Comecemos então pelo que muda de mais significativo.

Sem prejuízo de voltarmos a este assunto, com outro detalhe, em núpcias futuras, anote algumas das alterações já em curso nesta época:

1. Poderá ser permitida a utilização de uma substituição adicional no período do prolongamento, desde que o regulamento da competição assim o preveja. Foi algo já visto no Mundial da Rússia;

2. Passa a ser autorizado o uso de equipamentos eletrónicos de comunicação no interior da área técnica, mas só se destinados a razões táticas ou a questões relacionadas com a segurança dos atletas (questões de saúde, por exemplo). Esses aparelhos deverão ser de pequena dimensão e têm que ser portáteis;

3. Até à data, as leis de jogo não previam expressamente a possibilidade de se reverter uma decisão após o recomeço do jogo. A partir de agora e nalguns casos específicos (apenas de expulsão), determinado lance pode ser revisto e a sanção disciplinar máxima aplicada, mesmo que a partida já tenha reiniciado.

4. Passam a ser oficialmente permitidas paragens para hidratação (em cada parte do jogo), desde que a temperatura do ar esteja acima de valores pré-definidos. Essas paragens devem ser curtas e o tempo perdido deve depois ser contabilizado (tal como já era – e agora passa a integrar o texto da lei – o tempo gasto no processo de revisão via VAR);

5. Já era assim desde Setembro do ano passado, mas passou agora a constar das regras: para efeitos de análise de fora de jogo, o que conta é o primeiro ponto de contacto com a bola, ou seja, o momento em que a bola começa a ser tocada ou jogada por quem faz o último passe. Esta alteração deve-se ao facto de existirem vários frames televisivos nesse hiato de tempo (entre o princípio do toque e o último instante em que a bola deixa de estar em contacto com, por exemplo, o pé ou cabeça de quem executa o passe). Muitas vezes, esses milésimos de segundo são suficientes para que um jogador que esteja em fora de jogo deixe de estar… ou vice-versa.

6. Luis Suaréz terá inspirado o IFAB nesta alteração: o ato de “morder” passou a ser punido com pontapé-livre direto ou pontapé de penálti (além da óbvia expulsão);

7. Um guarda-redes pode agarrar a bola uma segunda vez, desde que esta tenha, num primeiro momento, tocado nas suas mãos por ressalto (ainda que, nessa tentativa, ele tenha tentado apanhá-la ou controla-la deliberadamente);

8. Habitualmente, as infrações que anulem claras oportunidades de golo (fora da área ou nessa, sem que haja intenção de jogar/tocar na bola) são punidas com cartão vermelho direto. Mas, a partir de agora, caso o árbitro aplique a lei da vantagem, passará a ser sempre punida penas com cartão amarelo (quer o lance resulte ou não em golo).

Entende-se que, havendo espaço para aplicar a vantagem, o infrator não materializou a sua tentativa de anular uma forte possibilidade de golo.

Quanto às instruções que os juízes de campo receberam, eis as mais importantes:

– Os árbitros devem evitar banalizar o assinalar de infrações, mesmo dentro das áreas.

Foram incentivados a ter maior abertura aos contactos físicos (que o futebol permite), procurando que essa amplitude de critério seja coerente a todo o tempo e em qualquer zona do relvado.

– Percebeu-se que houve um aumento significativo do número de pontapés de penálti por “braço ou mão na bola”.

O que se pretende a partir de agora é que, em situações de dúvida ou mais cinzentas, não exista punição. O assinalar deste tipo de infrações só deve ocorrer em lances onde a lei considera haver indícios claros de ação deliberada;

– Concluiu-se ainda que, na época transata, houve alguma incoerência quanto à concessão do tempo de compensação.

O que agora se pede é um controlo mais eficaz e rigoroso do tempo perdido, nos momentos que a lei determina.

Pede-se ainda maior prevenção e mais proactividade, nomeadamente em relação aos guarda-redes (advertir em qualquer momento de jogo é medida dissuasora, que deve ser aplicada com coragem) e também no que diz respeito à gestão de lesões.

– Apesar de se aconselhar o uso dos cartões em qualquer momento de jogo, desde que claramente justificados, entendeu-se que o primeiro cartão deve ser exibido apenas quando o lance determine, de forma inequívoca, essa sanção. Sempre que a situação for gerível (dúvida entre exibir ou não exibir), a recomendação é para não fazê-lo.

– Nem sempre “agarrar um adversário” pressupõe advertência (cartão amarelo). Mas sempre que um atleta tenha o objetivo de o travar ostensivamente ou impedir a sua progressão de forma óbvia, deve ser sancionado com o amarelo. Sempre.

Pronto. É mais ou menos isto.

Há outros apontamentos de relevo, mas a Tribuna Expressodará disso conta mais tarde.

A boa notícia (gosto de as deixar para o fim) é que a FPF voltou a investir muito e bem na melhoria das condições dos árbitros e quase seguramente terá disponível, já a partir da 1ª jornada, um sistema de análise de fora de jogo (linha virtual), idêntico ao que foi utilizado no último Campeonato do Mundo.

Trata-se do primeiro programa devidamente credenciado pela FIFA, tido como infalível e que conseguiu eliminar – através de uma complexa fórmula tecnológica (e com recurso a 3D) – pequenos desvios/falhas, como os que resultavam da concavidade de alguns relvados, da colocação de câmaras ou de pequenas imprecisões em algumas das suas lentes.

Essa tecnologia estará ao dispor dos VAR e poderão ser disponibilizadas, em casa, para acesso dos adeptos e espetadores.
Isso deve ser suficiente para terminar com polémicas recentes relacionadas com a fiabilidade dessas linhas ou idoneidade dos operadores.

Fiquem por aí.

Terei o maior prazer em vos manter informados… e atualizados. Afinal de contas, o saber não ocupa espaço e evita conflitos, certo?

Foto: Tribuna Expresso.

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