Cartão Branco

O desafio do “Cartão Branco”

Este artigo não vai falar sobre suspeitas de corrupção, penáltis escandalosos ou más decisões do VAR.

Não vai criticar, julgar ou analisar o que quer que seja. Pelo contrário. Vai falar do lado bom das coisas, do lado melhor do futebol.

Vai voltar a falar de um projeto que nasceu para marcar a diferença, para acrescentar valor. Para tornar o desporto português num lugar mais leal.

Se ainda continua a ler este artigo, os meus parabéns. É alguém que tem interesse em acompanhar o melhor dos exemplos. Nos dias que correm, é raro.

Já aqui falei do Cartão Branco. Recordam-se?

É o tal cartãozito que, ao contrário do vermelho ou do amarelo, não serve para punir. Serve para premiar.

Premeia condutas de exceção, comportamentos exemplares, posturas de referência. Premeia gestos eticamente elogiáveis. Gestos bonitos de atletas ou técnicos, de responsáveis ou adeptos.

E porque é importante dar corpo e rosto ao que de bom acontece nesta matéria, é justo sublinhar que a iniciativa foi lançada pelo Plano Nacional de Ética Desportiva (IPDJ) e que o seu grande dinamizador chama-se José Lima.

Como surgiu?

A dada altura, percebeu-se que alguns dos valores do desporto estavam a caminhar para um buraco sem fundo.

Daí nasceu a necessidade de se criar algo simples mas impactante e diferenciador, que de algum modo promovesse e reforçasse uma cultura desportiva com mais ética, lealdade e respeito.

Três anos depois, o bebé cresceu e começa agora a dar passos seguros. São já vinte e cinco as entidades desportivas que utilizam o “Cartão Branco” nas respetivas competições.

Estamos a falar de associações de futebol e federações desportivas de várias modalidades, entre as quais voleibol, ténis e ténis de mesa, patinagem, rugby, andebol, futsal, corfebol, etc.

No desporto-rei, há ainda um longo caminho a percorrer.

A FPF há muito que se juntou a esta vasta equipa (estreou o modelo no Torneio Lopes da Silva, em 2016) e, tal como ela, também onze Associações de Futebol: AF Lisboa, Setúbal, Santarém, Leiria, Beja, Guarda, Évora, Braga, Portalegre, Aveiro e Viana do Castelo.

As AF de Vila Real e de Viseu fizeram já saber que querem participar e têm o processo de adesão em curso.

Passarão assim a ser treze aderentes, num universo de… vinte e duas.

O passo seguinte? Chegar às outras nove! Obviamente.

Conseguir que todas as associações de futebol, de norte a sul (ilhas incluídas), estejam na linha da frente das boas práticas, dos exemplos mais nobres que o futebol pode e deve dar ao desporto e ao país.

Fica aqui o desafio.

O desafio para que se juntem a este projeto as AF Algarve, Bragança, Porto, Coimbra, Castelo Branco, Angra do Heroísmo, Horta, Madeira e Ponta Delgada.

Dêem o passo em frente!

Os números são elucidativos e revelam que jogadores e treinadores, dirigentes e adeptos gostam, aplaudem e apoiam a ideia.

A indisciplina nos jogos onde existe cartão branco (cabe a cada AF decidir quais os escalões) tem decrescido vertiginosamente. Há menos amarelos e vermelhos, menos suspensões, menos problemas com o público.

Nos dias que correm, ficar de fora do que é verdadeiramente importante já não faz sentido.

Vamos a isso?

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