Videoárbitro: vamos simplificar?

# Este projeto está ainda em fase de testes. No entanto, a FPF – tal como a federação holandesa – receberam o aval da Comissão Técnica do IFAB para avançar na próxima época com os chamados jogos live (permite intervenção direta nas decisões do árbitro).

# O nome oficial é VAR – Video Assistant Referee. É o árbitro que terá a missão de ver o jogo, observando todas as imagens disponíveis de forma a identificar, com precisão e clareza, qualquer erro grosseiro e evidente que possa ocorrer.

# Que erros são esses? Os que resultem numa das seguintes 4 situações: golos, penáltis, expulsões diretas ou engano/troca na amostragem de cartões.

# Isto significa que caso o VAR detete um erro que não resulte nos protocolados, está impedido de intervir. Exemplos: erro na amostragem de segundo cartão amarelo, fora de jogo mal assinalado (sem consequência direta no resultado), advertência mal efetuada, cantos por assinalar, etc.

# Apesar de poder parecer censurável, o raciocínio que preside a essa opção é sensato e coerente: se todas as partidas fossem interrompidas para que cada decisão pudesse ser video-avaliada, o jogo pararia dezenas de vezes. Isso significaria o fim do futebol, tal como o conhecemos: com dinâmica, velocidade e emoção.

# Assim, o lema de “Mínima intervenção, máxima eficácia” faz todo o sentido, pelo menos nesta fase inicial. A ideia é que o recurso ao VAR seja de caráter absolutamente excecional e apenas quando os tais lances forem claros e óbvios e que não deixem margem para quaisquer dúvidas. Significa isso que muitas das situações a que já assistimos esta época e que resultaram em golos, penaltis ou expulsões poderiam não ter sido alvo dessa revisão, porque muitas foram dúbias, incertas ou cinzentos. E desde que gere discussão, fica de fora.

# No jogo, a intervenção do VAR ocorre, em princípio, por solicitação do árbitro mas ele pode, por sua iniciativa, recomendar a revisão de um lance do qual esteja seguro que deva ser retificado.
Quando o árbitro apita para punir uma das tais infrações, jogo está interrompido e basta confirmar o acerto ou não da decisão. Quando entende não punir, o jogo segue e caso o VAR tenha ficado com dúvidas, fará uma revisão, em silêncio, do lance: se não tiver dúvidas sobre o erro do árbitro, pede-lhe que interrompa a partida (em zona neutra), anulando tudo o que de técnico aconteceu entretanto (desde que o jogo não tenha recomeçado).

# O VAR ficará junto ao estádio, numa carrinha de exterior ou, preferencialmente, numa zona centralizada. Os estudos de operacionalidade tecnológica, logística e financeira a realizar irão definir qual dos modelos a implementar.

# A função do VAR deve ser desempenhada por um árbitro, ex-árbitro que tenha abandonado recentemente ou por outro que ainda esteja ligado à arbitragem. Deve ter, no mínimo, o mesmo estatuto e categoria do seu colega de campo. No entanto, em cada jogo, será apenas mais um assistente. A decisão final cabe sempre ao chefe de equipa, que pode optar por aceitar a decisão do VAR ou revê-la em campo (num écran, em zona a definir, mas afastada e tranquila).

# A função de VAR requer formação contínua para que este possa aliar à serenidade do discurso e imunidade à pressão o conhecimento das leis, a fluidez de comunicação e, sobretudo, a eficácia da decisão no menor tempo possível. É fundamental que o técnico que o acompanhe tenha idêntica sensibilidade. As rotinas melhoram se as equipas foram (quase) fixas.

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