O PRIMEIRO GOLO DO FCP

Antes de mais, parabéns ao FCP e aos seus adeptos pela vitória estrondosa (e justíssima) no Mónaco.

É também uma vitória enorme para o futebol português, que evidencia a classe dos nossos atletas e treinadores.

Queria agora que (por uma questão didática), olhássemos, em pormenor, para a ação de Marcano no primeiro golo azul e branco.

O lance é muito giro e em campo passou despercebido a toda a gente.

E passará quase sempre, porque foi feito em velocidade e numa altura em que todos os olhos estavam em quem lança a bola e no local onde ela supostamente cairia. Não noutras movimentações fora desse cenário.

Mas aconteceu.

⁃ Marcano saíu temporariamente do terreno de jogo, colocando-se perto do poste da baliza adversária. No preciso momento que Alex Telles efetuou o lançamento lateral (longo, para o coração da área), o central do Porto reentrou em campo, cabeceou a bola para trás e da jogada resultou o golo azul e branco.

O lance, em tese, é ilegal.

Um jogador atacante só pode abandonar DELIBERADAMENTE o terreno de jogo por questões táticas e apenas para evitar ser apanhado em fora de jogo.

Neste caso, essa questão nunca se colocaria porque de um lançamento lateral direto nunca há fora de jogo.

Além disso, mesmo quando os avançados saem do terreno para não serem punidos por “offside”, nunca podem reentrar para tirar benefício direto da jogada. Têm que esperar que o movimento atacante da sua equipa termine.

Ontem o central do Porto saíu deliberadamente do terreno, sem autorização e sem o pretexto tático de escapar ao fora de jogo.

Mais. Regressou ao terreno, de novo sem autorização do árbitro.

Mais ainda. Participou ativamente na jogada mal regressou ao campo, cabeceando a bola para trás.

Ou seja, beneficiou de uma ação ilegal.

Em teoria (porque, repito, em campo isto raramente se vê), o árbitro devia ter interrompido a partida no momento em que o jogador interferiu na jogada (no caso, quando cabeceou a bola).

Marcano teria que ser advertido por abandonar o terreno e regressar depois sem autorização (Lei 12) e com as novas regras, o jogo deveria recomeçar com pontapé livre direto no local da interferência.

Esta situação não belisca méritos.

Mas por ser tão atípica e tão relevante na pedagogia e porque, de facto, aconteceu… fica aqui expressa.

Porque estamos todos a aprender.

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