PENALTI OU FORA DE JOGO?

Fora de jogo… falta e fora de jogo.

Afinal, em que ficamos?

Tem sido recorrente, esta época, vermos exemplos de situações em que um atacante, inicialmente em posição de fora de jogo, sofre falta de um adversário.

Aconteceu, há não muito tempo, com Samaris (que derrubou um adiantado Hélder Tavares, no jogo em Tondela), com Jonas (em posição inicial de fora de jogo e derrubado na área do Braga) e agora com Bas Dost (que, estando eventualmente em posição ilegal, sofreu falta de Danilo).

Terá seguramente acontecido também em muitas outras partidas, com muitos outros intervenientes.

A confusão de alguns adeptos (e comentadores e treinadores e jornalistas e jogadores e dirigentes) é compreensível e faz todo o sentido: afinal, qual das duas se deve punir? O fora de jogo ou a falta do defesa? Quando é que se pune uma e quando é que se pune outra? Porquê? Com que critério?

A resposta inicial não é amiga do esclarecimento: há situações em que se pune a posição adiantada, outras em que se assinala a infração do defensor.

Pois.

Para os árbitros, que têm que lidar com este pequeno terramoto dentro de campo e em frações de segundo, a solução é só uma: dominar bem a “Lei 11 – Fora de Jogo”, perceber a sua letra, interpretar o seu espírito e arrastar toda essa teoria para a prática, de forma a tomarem as melhores decisões, no momento certo.

Deixo-vos então com o contributo possível.

 

Antes, vamos recuar um pouco e perceber algumas premissas base sobre esta questão.

A mera posição de fora de jogo não é, só por si, motivo de infração.

Quer isto dizer que um jogador não deve ser punido pelo simples facto de estar adiantado face ao penúltimo defensor.

 

Mas então quando é que é punido?

Apenas quando toma parte ativa no jogo. E isso pode ocorrer de duas maneiras distintas:

  • Quando interfere com o jogo (esta é fácil… é quando toca ou joga a bola);
  • Quando interfere com um adversário (esta é mais complicada… é quando perturba, de algum modo, a ação dos adversários).

Vamos pegar nesta segunda forma e, poupando-vos à exaustão teórica (e algo extensa) do conceito, abreviá-la com a simplicidade possível:

– Um avançado em posição de fora de jogo deve ser penalizado por interferir com um adversário sempre que prejudique, de algum modo, a sua ação defensiva.

 

Exemplos?

Se obstruir o seu campo de visão, se disputar ou tentar claramente jogar a bola e isso tenha impacto nele, se o distrair, inibir, atrasar, condicionar ou perturbar. Também é punido se fizer obstrução à sua passagem, se mover-se e parar no seu caminho (afetando a sua capacidade de chegar à bola), etc, etc.

Resumindo: a punição verifica-se quando o atacante toma iniciativa. Quando adota postura que, direta ou indiretamente, retire condições à livre atuação dos  defesas.

Também se verifica quando toma partido da posição irregular em que se encontra (aproveitando a bola que ressalta do poste, da barra, do guarda redes ou até do árbitro em sua direção ou a que sobra para ele quando é deliberadamente defendida por qualquer adversário).

Com isto em mente, voltemos ao assunto central desta peça.

 

Como resolvemos as situações em que há, na mesma jogada, fora de jogo e falta do defesa?

Ora bem, esta época (2017/18), a lei decidiu clarificar a questão, dizendo mais ou menos isto:

Sempre que um avançado, em posição de fora de jogo, se deslocar para a bola com a intenção de a jogar e antes sofra uma falta, é essa que deve ser punida.

Ou seja, se um atacante nada fizer para prejudicar/perturbar os defesas contrários e for carregado antes de jogar ou tentar jogar a bola… assinala-se a falta do defesa. Se ocorrer dentro da área, com pontapé de penálti.

 

Por outro lado, o referido esclarecimento acrescenta o seguinte:

– Se um avançado jogar ou tentar jogar/disputar a bola e só depois sofra falta do defesa, então aí deve-se punir o fora de jogo.

Ou seja, ele joga/toca na bola ou tenta fazê-lo (isso pressupõe que ela esteja a uma distância jogável) e apenas depois disso é que é carregado de forma ilegal.

 

Tudo fica mais claro assim, certo?

Na prática, o que a lei nos diz é que – mesmo que estejas em posição inicial de fora de jogo – se sofreres falta antes de tomares parte ativa no jogo… punimos a infração que sofres.

Se só fores carregado à posteriori, consideramos que já tinhas tomado parte ativa e por isso… punimos a tua posição ilegal (o fora de jogo).

 

Percebido? Conselho final…

Peguem nestes conceitos, revejam os lances mais recentes e retirem as vossas conclusões.
Sejam os árbitros. Usem o que agora sabem das regras.

Podemos continuar em desacordo.. mas demos um passo em frente rumo ao consenso.

 

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