NÚMEROS E FACTOS DESTA ÉPOCA

Independentemente daquela que será a opinião de cada um sobre os benefícios e prejuízos do Projeto Videoárbitro, há um conjunto de dados – inequívocos e objetivos – divulgados recentemente e que importa aqui recordar:

1. Esta época, 306 partidas da Liga NOS tiveram Videoárbitro;

2. Daí resultaram 1869 lances passíveis de escrutínio;

3. Esses referiram-se às seguintes áreas de intervenção:

-914 situações de golo (todos são obrigatoriamente revistos.

– 457 de vermelho direto.

– 488 de pontapés de penálti.

– 10 de troca de identidade disciplinar;

 

4. Das tais 1869 situações monitorizadas, apenas em 100 foi recomendada a alteração da decisão inicial (ou, no mínimo, que essa fosse revista junto ao relvado);

5. Dessas, 76 foram efetivamente revertidas (os árbitros aceitaram a opinião).
Nas outras 24, os árbitros optaram por não acatar a recomendação do colega.

6. Ao todo, foram visionados, junto ao relvado, 68 lances.
Os restantes 32 tiveram aceitação imediata dos árbitro (por se tratarem de questões objetivas e factuais).

7. Por último, referir que os VAR analisaram, em média, 6 lances por jogo.
No entanto, apenas uma decisão, a cada três partidas, foi alvo de revisão.

Corrigidas, apenas uma em cada quatro.

Nestes casos, o tempo médio de interrupção foi inferior a um minuto.

Os árbitros portugueses contaram, esta época, com o apoio de um assessor externo (David Elleray, o criador deste projeto).

Fizeram 7 treinos (em relvado) e tiveram 169 horas de formação técnica (em sala), única e exclusivamente para este fim.

Cada um lerá o que entender sobre estes números.

Da minha parte, são a afirmação clara que, em quase oitenta situações, a verdade desportiva foi salvaguardada. Nessas (partindo do princípio que bem avaliadas), a justiça fez-se através da preciosa ajuda das imagens.

Não deixa, no entanto, de ser também verdade que há um longo caminho a percorrer.

No meio de muitos acertos, houve lapsos desculpáveis (de pura interpretação) e outros inadmissíveis. Daqueles óbvios, claros e evidentes para toda a gente. O desafio aí é perceber o que falhou.

A qualidade das imagens ou da comunicação? Falta de timing na intervenção? Falta de sensibilidade para focar no essencial? Precipitação? Houve negligência involuntária? Inibição em corrigir colegas? Falta de coragem? Incompetência?

O que quer que seja tem seguramente solução. E é para isso que serve o defeso, porque para o ano já não estaremos em fase de testes.

 

Foto: Record

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