JORGE SOUSA

O Jorge errou.

As palavras, linguagem e tom foram excessivos e inapropriados. A situação agrava-se se tivermos em conta que ele é uma referência na arbitragem, de quem se espera equidistância, serenidade e sentido de justiça.

Certo. Tudo certo.

Sei o que ele está a sentir. Cometi erros desta natureza (piores até), permitindo que as emoções fossem mais fortes que o dever. Falhei e paguei um preço alto durante muito tempo. Aprendi.

Dito isto, algumas questões apenas para reflexão:

⁃ Será justo que uma atitude infeliz belisque a credibilidade de uma pessoa ou fira o sucesso de uma carreira com quase 25 anos?
⁃ Se fosse, quantos jogadores de renome estariam “mortos” para o futebol?
⁃ Qual é o limite de alguém que vê a sua função sistematicamente atacada, pressionada, ameaçada? E que vê a sua vida escrutinada e invadida a toda a hora? Qual é o seu ponto de rutura?
⁃ Quantas vezes todos nós já não dissemos e fizemos o que não queríamos, não devíamos nem podíamos? Da forma errada, no lugar errado?
⁃ Quantas vezes jogadores, treinadores e dirigentes já sucumbiram à pressão, dizendo e fazendo coisas absolutamente inimagináveis?
⁃ O que levou o Jorge a ter aquela atitude irrefletida, naquele instante? Apeteceu-lhe? Que tipo de linguagem se usa habitualmente no futebol, sabem? Quantas vezes falar “curto e grosso” não é apenas uma forma de evitar o cartão amarelo ou vermelho?

Pensem nisso.

Termino como comecei: o Jorge errou, a imagem que ficou foi feia e má. Para ele e para a arbitragem. Haverá seguramente consequências.

Agora… não transformemos uma situação descontextualizada em mais uma novela do futebol português.

Já temos que chegue. Ou não?

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