JORGE DE SOUSA PUNIDO

Funcionou com rapidez invejável a justiça desportiva.

Isso é algo que nos deve deixar expectantes, porque define a bitola como ela se propõe a funcionar durante esta época: com rigor exemplar e decisões céleres. Muito céleres.

O Jorge cometeu um erro evitável e condenável. Nós sabemos disso. Ele sabe disso. Todos concordamos com isso. Ponto.

Mas três jogos de castigo (quando o mínimo poderia ser um) e sabendo que não havia antecedente disciplinar – antes uma carreira intocável – é mau. É feio. E é injusto.

A justiça desportiva não pode correr o risco de parecer populista ou justiceira. Deve, acima de tudo, ser equilibrada, equitativa e adequada.

Por isso – mesmo sabendo que são realidades distintas – custa a entender que a mesma justiça puna a prática de jogo violento (que pode acabar com a carreira de um atleta) com um jogo de castigo… ou palavras agressivas e ameaçadoras dirigidas a um árbitro…com dois.

Custa a entender que esta seja a justiça que pune apenas com multa alguns comportamentos irresponsáveis nos bancos técnicos e que originam a expulsão dos seus elementos.

Pode estar certo, pode ser assim, pode até estar previsto… mas custa.

O Jorge errou sim, mas não empurrou, não deu cotoveladas nem socos a ninguém.

Bastava a forca da opinião pública.

Nota final – Ao ver esta condenação, vem-me à cabeça tudo o que tive que ouvir e suportar na minha carreira: todas as bocas, todos os pontapés nas portas dos balneários, todos os gritos ameaçadores, todas as ameaças e injúrias, todas as vezes em que só a polícia nos tirava em segurança da cabine. Dá que pensar.

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