O HOMEM QUE ARBITRA A SUPERTAÇA

Conheci o Artur quando ele tinha quinze anos. Quinze anitos…

Tenho boa memória desse dia. Tive o prazer de ser o 4A do seu pai, Soares Dias, num Belenenses / FC Porto.

Para mim, na altura um menino a dar os primeiros passos nos nacionais, aquela era uma oportunidade de ouro, um momento emocionante: ia colaborar com um árbitro de renome, num estádio de um histórico, perante um dos maiores do futebol português. Que oportunidade, que sonho!

Lembro-me que, atrás de mim, tinha uma câmera a filmar e que isso deixava-me algo tenso e ansioso. Não estava habituado a tanto mediatismo.

Mas o Artur estava.

Acompanhava o pai desde pequenino. Meio tímido, algo reservado mas muito educado. A tentar passar nos intervalos da chuva. Tal como o seu progenitor.

Embora contra a vontade da família, decidiu seguir as pisadas do pai e tirar o curso de árbitro. Tinha dezasseis anos.

A partir daí, o percurso foi meteórico. O menino deu lugar ao homem, do jovem estagiário nasceu o promissor árbitro.

A subida ao escalão maior aconteceu em 2005. Aí e aos poucos, foi-se impondo e crescendo. Gradualmente. Jogo a jogo. Época a época.

Tenho para mim como certo que o grande salto na afirmação do Artur coincidiu com a partida triste e prematura – demasiado triste e prematura –
do seu pai.

A carreira, até então estável, recomeçou ali. A galopar. Como se aquele momento lhe desse a força e a determinação que, apesar do enorme potencial, tardava a aparecer.

Em poucos anos, o Artur – juntamente com o Jorge Sousa – tornou-se um dos melhores e mais respeitados árbitros portugueses da atualidade.

Trinta e sete anos de idade, centenas de jogos nos escalões profissionais, dezenas de partidas internacionais, várias finais nacionais e agora a pré-seleção para o Mundial de 2018.

No sábado, vai haver árbitro. Árbitro a sério!

Não é infalível, não é melhor que a televisão nem é perfeito. Mas é bom. Muito bom naquilo que faz.

E há uma certeza inabalável: que irá fazer o trabalho dele, sem julgar o dos jogadores e treinadores, mesmo quando estes errarem.

Seria tão bonito se eles fizessem o mesmo…

Crónica Jornal “A Bola” – Abril 2017

FOTO: Rádio Renascença

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