FIM DE ÉPOCA

Fim de contas

No passado sábado, dois homens receberam em Guimarães merecida homenagem:

– Moreno, capitão do Vitória e homem de medida cheia, que fechou com chaves de ouro uma longa carreira, recheada de êxitos desportivos;

– E Nuno Roque, árbitro assistente, que terminou na Cidade Berço uma viagem de 28 anos dedicada à arbitragem.

Foi bonito ver um e outro visivelmente emocionados, com as esposas de um lado e os filhos do outro, a receberem em pleno relvado o reconhecimento público, pela entrega de uma vida à carreira que tanto gostam.

Esteve bem a Liga naquele gesto simbólico. Fê-lo da forma certa, no local próprio e no momento adequado.

A época terminou ali, para Vitória SC e FC Porto, mas em muitas outras paragens, jogou-se o “tudo ou nada”.

Na Luz, nos Barreiros, em Vila do Conde, Portimão, Setúbal e Vila da Feira houve partidas de interesse máximo para o apuramento das contas finais.

Era importante que, na jornada final, tudo corresse bem. E o certo é que as arbitragens foram de excelente qualidade, contribuindo para um final de época tranquilo e sem casos. Felizmente.

É tempo agora de projetar o futuro, recordando premissas importantes.

De que tenha memória – e ando cá há muitos anos – esta foi uma das épocas mais violentas no que diz respeito a guerrilhas verbais e ao levantamento de suspeitas, insinuações e acusações.

Sem prejuízo de toda a verdade que parte delas possa encerrar (e confio que a justiça a descubra rapidamente), não há indústria que resista a tanta agressão diária.

O esforço para que esta atividade evolua deve partir de quem tem responsabilidade. Deve ser um esforço genuíno, pensado no bem maior e não estratégico, virado para o benefício do umbigo.

As pessoas estão cansadas de fait-divers e de faltas de respeito. Estão cansadas de má-educação, charadas e palhaçadas.

Por muito que achem piada e, aqui e ali, até “gostem” ou “partilhem”, na verdade o que estão mesmo é fartas. Ninguém minimamente equilibrado gosta de ver uma atividade que adora, um jogo que admira, vandalizado às mãos de quem tem obrigação e o dever de cuidar dele.

Está na hora de parar. De refletir. E de mudar.

Quem serve os clubes, os órgaos do futebol e as instituições desta enorme indústria não se pode esquecer que apenas ocupa um cargo. Um cargo momentâneo.

São pessoas eleitas para exercer uma função que um dia terminará.

O pior que podem pensar é que são imortais ou insubstituíveis. Que são as próprias instituições. Não são. Depois delas, outras virão.

O melhor é que, nesta curta passagem pelas zonas de poder, sejam dignos representantes dos seus cargos. Que o exerçam com responsabilidade, com competência e com ética. A história encarregar-se-á de imortalizar todos eles, elogiando os mais corretos, empenhados e competentes e satirizando todos os outros, como hoje já faz com meia dúzia de atores.

O destino do futebol português não está nas mãos dos adeptos, dos jogadores, dos árbitros ou treinadores. Está nas mãos de quem o conduz. Se isso não for motivo mais do que suficiente para o levar a bom porto, não sei o que será.

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