FERNANDO QUINTAS – VOZ DO ADEPTO

Protestei, de uma forma não muito efusiva, apenas abanando a cabeça, sorrindo e dizendo verbalmente que não era falta, talvez com o tom de voz ligeiramente mais elevado. O Sr árbitro decidiu marcar falta e eu, no calor do jogo e do momento, discordei. Acontece.
Resultado: 2m de suspensão.

Pratiquei andebol federado cerca de 13 anos e mais alguns para distrair e conviver.
Sim, no andebol, assim como na maioria das modalidades de pavilhão, há discordância com as decisões dos árbitros, mas discordar dessas decisões de uma forma menos própria traz consequências diretas para o jogador e respetiva equipa.
Somos, desde o início da pratica desportiva, educados dessa forma: a respeitar.

No futebol, tudo é diferente.
Vemos os pais das crianças, com 10/12 anos, desesperados a gritar com os filhos, a ofender colegas, adversários, árbitros e treinadores. Vemos essas mesmas crianças a ter atitudes idênticas.
Vemos treinadores, massagistas a ser permissivos na (falta de) educação, de respeito por todos os intervenientes desportivos. Mais, vemos treinadores a não serem exemplos educacionais, para com aquelas crianças.
Vemos árbitros demasiado permissivos, compreensivos para com faltas de respeito. Estas. Estas, as crianças, vão crescendo, sabendo que à medida que o seu corpo aumenta, a falta de respeito e fairplay desportivo as acompanha nesse mesmo crescimento.

Não podemos falar em praticar desporto, sem falar em desportivismo, camaradagem, amizade, respeito pelo próximo, mesmo que o próximo seja o adversário do dia de hoje, mas que amanhã poderá ser o nosso colega.
Nunca vi, após um treino, após um jogo de futebol juvenil um treinador, um pai ou mãe, chamar à atenção da criança, para a falta de respeito para com o seu adversário ou árbitro.

Tudo começa pelas bases.
Nós, adultos, temos muito que mudar em nós próprios, nas nossas atitudes, para incutir o sentimento de fairplay nas nossas crianças.
Ser do clube A ou B não nos pode cegar.

Não gosto do supérfluo. Gosto da essência, da base e, na minha opinião, para que não se perca o desportivismo no desporto, temos todos que fazer essa mudança.

Fernando Quintas

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