AS CLAQUES DOS GRANDES MAIS PERTO DO QUE NUNCA

No próximo domingo, o Benfica recebe o FC Porto (às 18H, no Estádio da Luz), naquele que é um dos clássicos mais aguardados da época.
Cerca de duas horas depois, o Sporting desloca-se a Belém, onde jogará partida igualmente importante com o Belenenses (20H, Estádio do Restelo).


O raciocínio não é difícil de fazer:

– Num curto espaço de tempo, dois jogos de importância vital serão disputados, na mesma cidade (Lisboa) e a poucos quilómetros de distância um do outro.

Não se trata apenas de uma questão de proximidade física. Não é a geografia que incomoda ou que pode suscitar algumas questões. O problema é outro.

No domingo, milhares e milhares de adeptos de Sporting, Benfica e FC Porto – apenas os maiores e mais representativos clubes do país – estarão no mesmo dia, em horário mais ou menos coincidente, na capital portuguesa.

E se a esse nível – de quem vibra pelos seus clubes e de quem leva as famílias à bola para torcer pelas suas equipas – espera-se e deseja-se uma verdadeira festa, já ao nível da presença maciça de claques e de grupos de adeptos organizados, a preocupação tem que ganhar outros contornos.

É público que No Name Boys, Juve Leo e Super Dragões (apenas para citar os mais conhecidos) não têm relacionamento amistoso entre si.
Além disso, o momento que os chamados grandes atravessam tem sido marcado por alguma controvérsia, sendo também público que as relações institucionais entre si estão longe, muito longe de serem as melhores.

Esse clima, mais tóxico que saudável, tem impacto direto nas emoções e no comportamento dos adeptos. Nas suas reações, expetativas e frustrações.

Não deixa pois de ser “questionável” a opção de se marcarem dois jogos desta natureza, em circunstâncias de risco tão evidente quanto desnecessário.

Sabendo que a definição de datas e horários no futebol profissional depende de muitas variáveis (os operadores televisivos têm peso determinante), parece-me que teria sido mais sensato, neste caso específico, ter seguido critérios de bom senso e razoabilidade em detrimento de outros, menos virados para a defesa do adepto que paga bilhete (caro) para ir ao futebol.

Compete ao organizador zelar pela segurança de quem verdadeiramente alimenta e sustenta o jogo. Os estádios devem ser, cada vez mais, um espaço onde todos se sintam confortáveis, felizes e… seguros. Muito seguros.

Ou muito me engano ou por esta altura a PSP de Lisboa estará a fazer contas à vida e a tentar perceber como é que é possível que alguém criasse condições para herdar um potencial conflito, tão previsível quanto evitável… num dia que se pretende e deseja que seja apenas de festa.

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