ARTUR E TIAGO

Artur Soares Dias e Tiago Martins

São estes os representantes da nossa arbitragem no Campeonato do Mundo, que decorrerá este verão, na Rússia.

O Artur e o Tiago merecem este reconhecimento. Passaram os últimos meses a frequentar uma série de seminários organizados pela FIFA, além de terem também participado em várias ações preparadas a nível nacional, pelo CA.

A forma como absorveram toda a informação e a forma como, na prática, aplicaram os seus conhecimentos, terá sido suficiente para que o organismo que tutela o futebol mundial os tenha selecionado para o Mundial.

Estão ambos de parabéns, tal como está o CA e sobretudo a Federação Portuguesa de Futebol, que teve a coragem de apostar nesta tecnologia, num contexto difícil.

Os treze árbitros selecionados pertencem, na sua esmagadora maioria, a países que abraçaram a fase de testes nas suas competições. Além dos juízes portugueses, também estarão presentes italianos, alemães e holandeses, todos de federações que implementaram a vídeo-tecnologia. É uma decisão justa, visto que quem participou em tantos jogos com esta tecnologia está mais habituado e preparado.

Dito isto, olhemos agora para a questão noutra perspetiva:

– Portugal volta a não ter árbitros de campo em grandes competições internacionais. E apesar destas nomeações, é importante que não se considere que houve uma vitória nesta matéria.

A nossa ambição não pode nem deve ficar-se pela indicação de Videoárbitros. Temos que pensar mais alto e sonhar mais longe.

Historicamente tivemos participações em várias provas importantes (casos recentes de Vítor Pereira, Lucílio Batista, Olegário Benquerença e Pedro Proença). Todos chegaram a fases finais de europeus e/ou mundiais e muitos deles dirigiram jogos decisivos.

Desde a saída de Benquerença e Proença que Portugal não tem um árbitro no Grupo de Elite da UEFA. Espera-se que tenha em breve, mas enquanto isso não acontecer, muito dificilmente teremos representantes nas grandes provas.

Os anos passam, a idade aumenta e as apostas para estas competições (que surgem de quatro em quatro anos) têm que ser desenhadas e planeadas com tempo.

Neste momento temos dois árbitros de categoria consolidada (Jorge Sousa e Soares Dias) mas que não estão ainda na elite europeia. Mais atrás, temos um leque de juízes capazes de se impor a curto, médio prazo. É nesses que deve incidir o esforço e o investimento para o futuro. Diria mesmo que, de todos, é muito fácil perceber quais os dois (ou talvez três) que verdadeiramente devem ser aposta.

A arbitragem portuguesa não pode viver a pensar em êxitos passados quando o desafio está à frente.

A gestão dos quadros de árbitros internacionais é algo muito sensível e que requer ponderação e forte sentido de justiça. Deve partir de quem dirige mas também de quem é dirigido.

Deixo-vos um exemplo pessoal: em determinado momento da minha carreira, percebi que não tinha condições para ostentar as insígnias da FIFA e comuniquei isso mesmo ao meu Conselho de Arbitragem. Abdiquei. Fazer provas físicas passou a ser um suplício e já não me sentia merecedor desse estatuto. Não o era, de facto.

Quer isto dizer que há um momento nas nossas vidas em que devemos ter a maturidade de olhar para onde estamos e fazer um exercício de honestidade intelectual. Se já não acrescentamos valor, que se abra a porta a outros.

Não é fácil, mas é nobre e fica bem. Muito bem.

Acredito que esse é o melhor caminho a seguir.

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