AINDA HÁ DÚVIDAS?

Voltemos ao Videoárbitro

Porque o ruído tem sido muito (e todos antecipávamos que seria assim), porque a ideia é informar com clareza e porque o saber não ocupa espaço e porque, aqui fica novo contributo, com dados reais, objetivos e factuais:

– O VAR assiste ao jogo através dos écrans previstos no protocolo internacional e disponibilizados para o efeito;

Em Portugal, todas as partidas da Liga NOS têm o vídeo-auxílio a partir do “centro de operações” situado na Cidade do Futebol (FPF).

Ou seja, o VAR não exerce a sua função numa carrinha de exteriores, junto a um estádio de futebol;

 

– O VAR tem o apoio direto de um colega, o AVAR (assistente de videoárbitro, função aqui desempenhada por um Árbitro Assistente) e também de um Técnico de Imagem, que tem que ser neutro em relação a clubes e operadores televisivos.

 

– O VAR tem que ter acesso, independente, a todas as imagens disponibilizadas pelo operador que transmita o jogo.

Essas imagens não lhe são apresentadas com tecnologias adicionais (por exemplo, linhas para análise de foras de jogo), visto que isso obrigava a que esse sistema fosse devidamente validado, o que não aconteceu.

Ou seja, as imagens que chegam ao VAR são “brutas”, limpas e despidas de informações que os operadores utilizem. Lá, podem ser repetidas e/ou ampliadas, as vezes que forem necessárias para se encontrar a melhor decisão.

 

– Apesar dessa independência (crucial para a decisão final), o protocolo internacional também exige que exista um écran com a transmissão integral do jogo, tal como o adepto o vê em casa. Essas sim, poderão ou não incluir tais tecnologias (linha fora jogo).

Sabendo disso, os VAR têm instruções claras para nunca proporem qualquer alteração de decisão com recurso a essas indicações. A razão já foi referida: não estão certificadas, logo não são fidedignas.

Em breve, haverá solução para esta questão, que passa por implementar um mecanismo credível, independente e fiável;

 

– Até à 5a Jornada, o tempo médio perdido (por jogo) para recurso ao VAR foi de um minuto.

Significa isso que o receio de que este projeto fosse “matar” a dinâmica e o normal desenrolar de cada jogo tem sido, até à data, infundado.

Continua a perder-se mais tempo com “lesões”, com substituições e com outras manobras (nomeadamente lentidão exagerada nos recomeços de jogo);

 

– Todas as decisões alteradas com recurso ao Videoárbitro foram acertadas. Todas.

Ou seja, nenhuma das indicações para mudar uma análise inicial foi errada.

Existiram (e é fundamental que isso se diga) falhas em alguns jogos.

Elas ocorreram devida a vários fatores: omissão de apoio do VAR quando este se justificava, má análise técnica dos lances em determinados momentos, opção do árbitro em manter a sua decisão inicial apesar de alerta em contrário e/ou por falhas estritamente operacionais (quebras de comunicação, na rede, etc).

Estes erros têm ocorrido, nesta fase, em todos os outros países que aceitaram submeter-se a esta fase de testes: Holanda, Itália, Estados Unidos, Austrália, etc.

A ideia é sempre a de aprender e evoluir: evitá-los sabendo que eram previsíveis face à dimensão deste projeto e ao que representa de novo adeptos, técnicos, operadores de imagem e árbitros;

 

– O protocolo internacional recomenda, fortemente, que seja disponibilizada – pelo menos – uma mensagem nos écrans de cada estádio, a informar que uma determinada revisão está em curso (para informar os adeptos, para que eles, que pagaram bilhete, saibam o que se passa).

Isso pode ou não passar por mera mensagem escrita ou por imagens ao vivo da sala de operações onde se encontra o VAR. Para manter o interesse na decisão e evitar quebras de expetativas que as pausas sempre acarretam.

O International Board desaconselha vivamente que, nesta fase, passem nesses écrans imagens dos lances em causa, porque isso poderia levar a reações negativas do público, criando inevitáveis problemas de segurança;

 

– O IFAB também recomenda que o VAR (e eu acrescento, todos nós), analisem as repetições de cada incidente revisto, da seguinte forma:

Repetição lenta: só deve ser utilizada para aferir “pontos de contacto” (ou seja, se a bola bateu no peito ou na mão, se os pítons atingiram ou não o calcanhar, etc).

Repetição em velocidade normal: para aferir jogadas em que esteja em causa “intensidade”: saber se o empurrão foi suficiente para desequilibrar, se a carga bastou para derrubar, etc.

Se analisarmos lances de pura intensidade em “slow motion”, ficaremos sempre com a sensação que nunca houve falta. A repetição lenta tende a retirar gravidade à infração.

Façam esse teste.

 

– A comunicação entre VAR e árbitro obedece a alguns critérios, na forma e no timing.

Há palavras proibidas que podem levar a erros de interpretação (por exemplo, a palavra “não” é parecida com “mão”).

No entanto e tendo em conta o facto deste ser um projeto novo (sujeitando os seus intervenientes a enorme pressão), é perfeitamente normal que se ouçam algumas palavras menos próprias, não por desrespeito ou má educação mas porque evidenciam a tensão, a ansiedade e a vontade de quererem fazer tudo bem, tudo rápido;

 

– O protocolo internacional recomenda ainda que todos os jogos que contem com o apoio do VAR deverão ser filmados e gravados (video e audio), para efeitos educativos e de formação dos próprios VAR. Nunca para qualquer outro fim.

 

Conclusão: é perfeito? Não! Claro que não!

E nunca ninguém o “vendeu” como tal. Mas não há ninguém que possa negar a sua utilidade clara em muitos, muitos lances.

A verdade desportiva está reforçada e caminha, a passos largos, para a (quase) plenitude.

Deem tempo. Deixem crescer.

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