A tripla penalização

O fim da tripla penalização é um conceito que ainda não está bem enraízado. Há dúvidas, muitas e legítimas.

Vamos recapitular, de seguida, os aspetos em que assenta esta “regra”:

1. A chamada “tripla penalização” ocorria quando o árbitro assinalava um pontapé de penálti e exibia cartão vermelho direto ao defesa por cortar, em falta, clara oportunidade de golo.

Nesse caso, o que acontecia era o clube ser sancionado com um castigo máximo (1) e o jogador expulso (2), cumprindo depois, pelo menos, um jogo de suspensão (3).

2. A lei veio dizer que, caso estivessem reunidos determinados pressupostos, o infrator deixava de ver o vermelho. Seria apenas exibido o cartão amarelo.

Os pressupostos seriam:

– O lance acontecer obrigatoriamente dentro da área;

– A falta cometida pelo defesa/guarda-redes cortar uma clara oportunidade de golo;

– A infração ser cometida na tentativa clara do infrator jogar/disputar a bola.

Quer isto dizer que se um jogador for isolado rumo à baliza adversária e sofrer falta fora da área, continuará a ser expulso.

Quer isto também dizer que se o defesa/GR cometer uma falta na sua área mas sem tentar jogar a bola (apenas impedir a progressão do adversário, por exemplo), continuará a ser expulso.

Exemplos de infrações em que esta regra não se aplica:

– Agarrar, empurrar, saltar sobre, carregar ou jogar a bola com as mãos. Se repararmos bem, nenhuma destas faltas pressupõe tentativa de um jogador em disputar a jogada, em ganhar a posse de bola. Aí o vermelho mantém-se.

Já a típica rasteira, o toque no pé que derruba, a saída do GR aos pés do avançado (quando chega tarde e derruba) geralmente pressupõe que há intenção em ir à bola. Em tentar tirá-la ao adversário.

Se essa for a leitura do árbitro, então deve considerar esta premissa como preenchida e punir disciplinarmente com advertência.

Há um facto inegável: nem sempre a linha que separa a tentativa de disputar a bola com a de derrubar um jogador ou evitar que ele progrida é clara.

A decisão pode, por vezes, ser dúbia e em última instância, isso deve depender da opinião que o árbitro tem do lance.

As instruções são para que exista bom senso: é importante que os árbitros façam, antes de decidir, a seguinte questão:

“O defensor quis claramente ir à bola ou apenas derrubar o adversário, ainda que fruto de uma abordagem imprudente ou de uma ação instintiva?

Na resposta estará a decisão.

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